segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Dou Graças" pelos serões de domingo!

Domingo, dia de partida do meu Mr. Big para mais três semanas de “exílio” nos States. A cada temporada vai-se tornando mais difícil de aguentar, os dias parecem intermináveis quando ele está fora.
Compensam-me os amigos, que me recebem sempre de portas abertas, contribuindo em muito para que o tempo passe mais depressa.
É o caso da família P., cujos serões de domingo já começam a tornar-se aquilo que Barney Stinson, da série How I met your Mother, How I chamaria de “legendary”. As noites de domingo são sinónimo de jantares que se prolongam até altas horas, com comida que nunca mais acaba, normalmente grelhados, que é o que sabe bem no Verão. À volta da mesa, cada vez maior, reunem-se não só os membros oficiais da família P., mas também os P. honorários, onde eu e o Mr. Big nos incluímos, com grande honra.
Estes jantares de Verão são propícios a longas conversas, colóquios onde se vão desenrolando histórias reais, casos tão próximos mas para os quais, na maior parte das vezes, não estamos minimamente despertos e que nos fazem dar valor às vidas descomplicadas que temos. Não me imagino, por exemplo, a crescer sem o apoio da minha família, dos meus pais, das minhas irmãs, sem a sensação de segurança e o carinho que sempre me proporcionaram.
Mas, infelizmente, há histórias bem diferentes. Há crianças que crescem em lares sem amor, onde os pais não dão miminhos, nem sequer ralhetes. Há quem cresça numa total ausência de sentimentos, por ter nascido numa família que nem devia ter a capacidade de gerar um ser humano, tal a própria ausência de humanidade do casal.
Não são só os maus tratos físicos que marcam uma criança, a indiferença de um pai e de uma mãe pode ser igualmente traumatizante.
Neste caso concreto, ninguém imagina que esta pessoa passou, e continua a passar, por isto. O que vale são as famílias P. que vão existindo por aí, de portas e de coração abertos, que dão tudo, muitas vezes sem sequer verem reconhecido o seu valor e correndo o risco de serem mal interpretadas por gente mesquinha que gosta de ver maldade em tudo.
Na vida, talvez a única coisa que não possamos escolher seja a família. Quanto aos amigos, o caso é diferente, e se tivermos sorte encontramos aí uma segunda família.
Perdemos demasiado tempo a pensar em trabalho, carreira, dinheiro, estatuto, quando o que realmente nos enriquece é o contacto com os outros, a importância que temos nas suas vidas e que eles têm na nossa, a troca de experiências, de histórias, risos e afectos...
Andamos tão preocupados a planear o futuro que deixamos para trás o presente. Esquecemo-nos de dar valor às pequenos, mas verdadeiramente importantes, detalhes da vida, como as conversas entre amigos à volta da mesa, com as particularidade de cada um:
- a R., que preenche uma casa com com o seu bom-humor e positivismo contagiantes;
- o T., que rega a relva com a naturalidade de quem posa para um anúncio da Lacoste; - a minha querida I. e o F., ambos com uma maturidade fora do normal para as suas idades;
- o L., que é o Rei da Grelha e refila comigo porque como pouco (como ele me faz lembrar a minha Big Sister!);
- a I., cozinheira de mão cheia, que nos presenteia com sabores exóticos e tropicais;
- o C., com quem gosto de falar de cinema;
- o J., uma caixinha de surpresas, com muitas histórias para contar;
- a L., hoje ausente mas sempre lembrada, que mais não seja, pelos seus fantásticos cafés;
- e o G., que com três anitos apenas, já manda em nós!
A todos, obrigada por mais uma excelente noite!
“Dou Graças” por estes serões!

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